quinta-feira, 5 de maio de 2011

Taí! Violão, bandoneon!

video
Gravado no clássico estudio ION, eu e Tomi Lebrero. As imagens são do Ciro. Tocamos Vibrações, de Jacob do Bandolim.
Meio escuro, as vezes um brilho, mas sempre noturno. Buenos Aires é assim também!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Uma breve correção...

Eu estava muito enganado em relação ao Tango. Ele pisa macio sim e é malandro à sua maneira, eu à minha maneira fui um mané na comparação e levei uma banda. Perdón hermanitos, eu conserto isso mais na frente.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Novos vicios argentinos

Fazem tres meses já de Buenos Aires e teria material pra um ano de blog, mas hoje vou me prender à musica, que é o objetivo maior desse blog. Eu estou adicto ao folclore argentino, principalmente à Zamba. De primeira eu achava a musica meio mansa demais, plana demais, mas depois da segunda guitarreada eu ja me vi preso à esse ritmo, à delicadeza das melodias e principalmente à pureza que evocam quando cantam as zambas meus amigos do norte. Pena que eu não tenha nenhuma guitarreada dessas gravada ainda, então deixo uma zamba cantada pelo Duo Salteño que é simplesmente impressionante.
http://www.youtube.com/watch?v=561t12NeDKQ&feature=related

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Sob Tangos e Sambas, Choros y otras cosas que non los puedo contar.





Um brasileiro que não entende lhufas de espanhol e um argentino que sabe um pouquinho de português resolvem após um show improvisado gravar um cedê. Tango não tem nada a ver com choro e vice-versa, eu pouco entendo da linguagem do tango e o meu parceiro tão pouco sabe os meandros do choro, mas pode ser bom. O tango é duro, comparado ao choro é uma pedra de granito de tres toneladas ritmicas meio desgovernada, meio bêbada, você não sabe quando o andamento vai cair, mas que lo hay, lo hay! O choro pisa macio e o tango pisa o chão com força. O samba acentua o 2, enquanto o tango acentua o 1. O tango é gostar de sofrer, o samba é gozar de sofrer. A questão é: como se toca um tango chorado? Da mesma forma pergunto, como se toca um choro "tangado"?
A resposta virá em breve, boa sorte para nós!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008




No início dos longíncuos anos sessenta do século dezenove, o tipógrafo e inventor francês Édouard Léon Scott criou essa adorável engenhoca chamada Phonautograph. Um sujeito supostamente deveria enfiar a cabeça nesse cone e cantar, enquanto o nosso Édouard se tornaria, além de outras honras, o primeiro operador de som da história ao rodar a manivela situada à direita. Esse funil era dotado de uma lâmina presa ao centro de uma membrana na sua extremidade. Esse sistema lembra a nossa cuíca, que tem uma vareta fixada no centro do couro esticado, só que ao contrário da cuíca que ressona e amplifica a vibração da vareta, a lâmina do Phonautograph vibra analogicamente à ressonância do funil e faz o desenho da onda sonora numa espécie de papel carbono, esse que fica no rolo comandado pelo operador, que gira a manivela numa velocidade regular o suficiente para deixar o desenho claro. O inventor foi o pioneiro do microfone, da gravação analógica e também fez o que o Protools(!) fez (desenhou a onda sonora na tela do micro-computador) ao representar graficamente as ondas sonoras no papel carbono, resultado que ele batisou de fonograma. A melhor parte da história é que o nosso querido Édouard não fazia a menor idéia do que havia descoberto. Ele queria "apenas" criar um sistema de notação universal do som, um alfabeto para todos os sons prováveis e possíveis, essa ambição que ultrapassou a barreira do delírio foi o fator mais forte para que ele pudesse alcançar seu feito. Tem o ditado que diz - Cuidado com o queres, pois pode tornar-se realidade - hoje podemos criar o som(timbre, altura, velocidade, intensidade, profunidade, etc...) que quisermos, através da representação gráfica da onda.
A história tem o seu final feliz em 2008 quando a First Sounds (por eles mesmos - "uma colaboração informal de áudio historiadores, engenheiros de gravação, arquivistas som, cientistas, outros indivíduos, e organizações que têm como objectivo tornar gravações sonoras mais antigas da humanidade disponíveis para todas as pessoas de todos os tempos"), conseguiu fazer a reprodução em áudio dos fonogramas do Edouard-Léon Scott , que sendo assim, se tornaram oficialmente as primeiras gravações de áudio da História.

Quem quiser ouvir e aproveitar pra dar uma olhadinha rápida no site deles, que é muito legal: http://www.firstsounds.org/sounds/


quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Da série Bossa meia-idade.

http://www.youtube.com/watch?v=xPU094Q5vWE
Enquanto as mesas redondas que discutem sobre qual foi o marco inicial da Bossa Nova esquentam em locais aonde não se bebe chopp, aonde estupidamente gelado é o ar condicionado, eu resolvi tirar aqui a casquinha que me cabe neste latifúndio.
Esse vídeo tem três personagens ícones da bossa nova em um cenário igualmente idiomático da bossa nova, (tanto humano quanto natural ou vice - versa), no cinema, melhor, uma tradução nossa do cinema americano, assim como é a Bossa Nova, que surgiu no momento que o jazz americano estava na febre "cool". A gente pra variar teve que dar um jeito de imitar, pusemos aqueles elementos que o Chet Baker usava na música dele no nosso samba. Mais do que isso, estávamos querendo aquele estilo de vida também, aí é que está - será que a gente imita mesmo o láifstaiou dos outros ou finge que imita só pra ninguém chamar a gente de índio? (eu acho o láifstaile brasileiro completamente original e esse sim, inimitável e invencível). Naquela época a palavra bossa tinha uma semântica popular que às vezes eu acho que se parece com o "cool" que os americanos usam.
O nosso presidente era Bossa Nova, cantávamos sambinhas "cool", Brasília era uma cidade moderna erguida da noite para o dia, o cabelo da mulata estava se impregnando de spray fixador. Os anos sessenta eram muito cool e o Brasil estava lá no comecinho deles, buscando se afirmar esteticamente dentro da nova ordem.

Pata preta

Pata preta é uma roça, ou vilarejo, entre duas cidades muito pequenas de algum sertão qualquer. Essa eu acredito que seja em Minas, mas é o que menos importa. Estive lá por dois dias e posso dizer que o clima é muito seco, o ar é sempre vermelho cor de terra, como se fosse um fim de tarde poeirento durante todo o dia. Só vi carros carregando caixões. O outro grupo que participava da viagem ficou em uma casa aonde toda a família havia morrido por terem pisado em mijo de boi (pensando aqui, deve ter sido essa família que eu vi nos caixões). Para sair dessa casa eu tive que passar por uma rua lamacenta que tinha todo tipo de cobra rastejando nas poças.
Eu fiquei hospedado na casa da Perpétua, que eu imaginei que seria a única pessoa capaz de viver naquele lugar.
Aquela poeira e o clima de morte me consumiram tanto em dois dias que eu voltei de lá fraco enrolado em uma coberta com a cabeça para dentro, conseguindo enxergar apenas aquela luz amarela e desgastada do sol no carro da volta para casa.